O que será ?
Viver os momentos e saber degustar os acontecimentos pode ser uma das coisas mais sábias que fazemos. Aproveitar os minutos, as circunstâncias e deixar-se experimentar pelo o que acontece. As surpresas sempre acabam acontecendo, de uma maneira ou outra. Acabamos sendo nossas próprias incertezas. Vamos tentando nessa vida através de nossos desejos, nossas vontades , expectativas , crenças, medos.. Tantas coisas juntas e para conciliar tudo isso , vamos no jogo de tentativas, erros e acertos.
Essa música que vem logo a seguir é mais uma das maravilhosas e tocantes do Chico. Consegue realmente deixar à flor da pele. Gosto da urgência, da intensidade e do que não é catalogável que existe nela.. Coisas da vida, música do Chico, sensações ..
O que será ? (À flor da pele) - Chico Buarque
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz chorar
E que me salta os olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz implorar
O que não tem medida nem nunca terá
O que não tem remédio nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será, que dá dentro da gente que não devia
Que desconcerta a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso nem nunca terá
O que não tem cansaço nem nunca terá, o que não tem limite
O que será que me dá, que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vem agitar
Que todos os ardores me vem atiçar
Que todos os suores me vem encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a chamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem governo nem nunca terá, o que não tem juízo

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